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Felicidade não é o que você me mostra

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Uma intensa observação sobre a natureza da mente humana na construção de mundos e modelos de fuga da realidade do ser.


Podcast: Acesse clicando na imagem abaixo o audio desta reflexão.


Eis um grande problema que vejo em sua mente. Você mente demais. Mas não para mim. Suas mentiras nem sequer existem no meu mundo. Confesso que ouço algumas com ligeira curiosidade, mas somente para entender até onde você é capaz de chegar.


Logo depois elas somem da minha real consciência assim como esse "eu" inventado, que você criou e nele se vê.


Essas ilusões que você me mostra somem, e para mim fica só o amor que sinto por você. Também não me importo que você não me ame. Eu sou e dou amor. Não preciso nada receber. Não preciso de nada dessas coisas das quais você se cercou.


Você percebe pelo meu olhar que não acredito em você. Mas você nem liga. Afinal, quem precisa acreditar nas mentiras que você conta é você mesmo. E você mente demais para você mesmo. Já se perguntou o por quê?


Vejo você ai, agindo e vivendo só na medida do possível. Quase com preguiça, deitado nas coisas que lhe deram com ares de ensinamentos que nem coragem de pensar sobre elas você teve.


Você lá no seu íntimo grita sem parar: - Dane-se os outros! Dane-se o mundo!  Mas esse é o mundo que você inventou. Você nessa mania de julgar a tudo sem a nada entender… Que juiz cruel! Por que você se trata assim?


E já se passaram quantos anos que você ai neste estado está? Quantos anos se enganando, vivendo apenas daquilo que você acha possível e importante fazer? E sobre o que se precisa fazer? O que você tem feito?


Você não é feliz. Você finge ser, pois é assim que entende que é o jogo. Você acha que suas fotos me enganam, que seus sorrisos me enganam… que o jeitinho manso que você chega para destilar sua ilusão engana a mim... pobre de ti.


Você também dissimula seus atos.  Usa de sorrisos amarelos, finge se importar, finge ouvir, e quando também convém, finge não ver.  - Ai que delícia é viver! Que triste é também ver isso em você.


Você ama a todos, menos aquele que sabe quem é você. Que lhe olha nos olhos, que lhe desnuda, que é imune a suas manhas e palavras sempre pensadas, arquitetadas, construídas para fingir e enganar.


Você também tem medo daquele que você engana, pois vê-lo dá trabalho… Lá vai você ter de mais essa mentira sustentar com outras fieiras de mentiras… esforço sem fim e é você que assim deseja.


Quando olho nos seus olhos, vejo que você se cansou de se cansar e de mentir. Cansou de enganar, cansou de perseguir essa coisa que você nem sabe o que é… mas como parar se nem fé direito você sabe se tem? Pensar na vida é dor, pensar no trabalho é dor, pensar na familia é dor e medo da perda… que sofrimento viver todas essas possibilidades em pensamento, neste filme onde todos são vilões e a única vitima é você. Pobre você, vítima do mundo que criou com as próprias intenções.


Seus objetivos são mentiras, que você conta pra si mesmo, e quando tem chance, conta aos outros sempre sob a ótica da vítima, com lágrimas nos olhos, mãos ao rosto e gestos de pranto, sofre. Você me mostra como é feliz mostrando o quanto já sofreu. Vejo em você confusão.


Você esconde segredos, tem coisas em seu passado que não conta para ninguém...e isso também é uma tortura sem fim. Porque não se liberta disso?


Seus objetivos na vida são todos ligados a sua aparência, sobre o que você aparenta, e sobre o que vão pensar sobre você, e por isso quer agradar a todos, e hora de você parar de ser cruel, de ter ira, e raiva de si mesmo.


Seus medos são todos relacionados a você também. Nos seus devaneios da mente você quando pensa na morte de alguém por exemplo, não pensa nesse alguém, pensa só em como você sofrerá, o quanto você trabalhará. Você só pensa e age por você, já percebeu?

 

Seu sofrimento também é uma criação sua. Assim como tudo em seu mundo. Você pode não ter criado a guerra que você vê nos jornais, mas como ela lhe afeta sim, você criou. Você também é o responsável por manter em sua consciência todas essas idéias, medos e angústias, que levam a humanidade para a guerra. Você se vê melhor e diferente dos outros.


Você é assim. Feito de medo e sofrimento, e por isso você foge de tudo, e faz isso através de fugas criativas como a bebida, drogas, religião… e também através de fugas que lhe ensinaram que são normais, como trabalho, mentiras, fingimentos, coitadismos, comida, sexo, compras… tudo que lhe leva, mesmo que por pouco tempo para longe da sua realidade. Fuga é tudo que você usa para escapar da perversão do mundo que você mesmo criou.


Lembre do sorriso de um filho, do olhar de amor de quem se ama, estar com amigos de verdade, daqueles que voce não precisa fingir ser quem não se é. Você tem amigos assim? Você só é feliz genuinamente quando não esta mentindo para alguém ou para você mesmo, já percebeu? Você esta em paz quando se rende ao fato que o mundo é caos e que você é quem decide estar em felicidade, apesar de tudo.


Felicidade é quando você pode dizer uma verdade sem medos, é ouvir uma música, é encostar os pés nos pés de quem você ama juntinho na cama, uma refeição em familia, ver alguém sorrir, é chorar de alegria… gritar, dançar… Há quanto tempo você não dança? E gritar? Quando foi a ultima vez que você riu até sua barriga doer?


Felicidade não é que você me mostra, compra e acumula. Felicidade é paz. É mente calada de intrigas, invejas e visões de um futuro aterrorizante. É ponderar o que é verdade do que é ilusão, é dar peso correto as coisas, é despertar o outro, é ser exemplo de verdade e sinceridade...é saber que ninguém lhe fará feliz a não ser você.


Eu percebo o quanto você é feliz sim, mas não pelas coisas que você me conta. Isso sempre é ilusão que você cria. Eu percebo você feliz quando você fica em silêncio e nem precisa se dar ao trabalho de palavras usar. Eu vejo você feliz naqueles segundos entre um sofrimento e outro que você inventa. Nessa hora, quando você me olha bem nos olhos, eu vejo você feliz.


Felicidade não é algo que você cria, ou como você gosta... uma coisa que lhe dão. Felicidade é parte da sua essência, esta dentro da beleza que dá vida ao seu coração.


Você não achará felicidade em livros, mestres, videntes, rezas, gurus ou mentores… Você não pode achar o que você já é.  Felicidade é uma escolha que você precisa fazer entre duas opções nada simples: Ser feliz ou ser essa ilusão que você criou? Você teria coragem de morrer para tudo que você criou?


Pois bem, aqui acabou essa reflexão de hoje, e se você chegou até aqui deve estar me perguntado: Quem sou eu e que direito eu tenho de lhe dizer tudo isso?


Mas isso não é arrogância. É meu testemunho. Se doeu, é porque somos iguais, e nós somos iguais! Tudo é feito da mesma essência.



Escute como se isso fosse o próprio Deus manifesto em você, a ti conversando e perguntando, como se fossem as suas verdades, questionadas por sua própria boca, e você entenderá, apesar de não ser fácil, que a resposta para esta pergunta será libertador.


E liberdade é algo irreversível, embora seja impermanente.


Bem-vindo a verdade. Bem-vindo à você.

 
 
 

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